Cancro oral

É o sexto cancro mais comum do mundo e Portugal é o segundo país da Europa com maior taxa de incidência, mas a tendência é que os números continuem a subir. O diagnóstico tardio é um dos principais motivos que justificam estes dados, mas realizar o autoexame da boca consegue identificar lesões pré-malignas numa fase prematura, que pode alterar o prognóstico da doença.

Apenas 30 a 40% dos doentes diagnosticados com cancro oral numa fase já avançada conseguem ser tratados e, mesmo assim, as complicações na cavidade oral, que incluem problemas de mastigação e deglutição, são inevitáveis. Se os casos fossem descobertos prematuramente, os prognósticos tornavam-se, certamente, mais animadores, já que, quando assim é, as taxas de sucesso do tratamento são superiores a 80% e os efeitos secundários são muito menos graves. Identificar alterações suspeitas numa fase inicial permite prevenir as lesões pré-malignas logo no começo. Isto não é sempre possível porque, por um lado, o cancro da boca surge de forma assintomática e, normalmente, só se torna doloroso quando já está num estágio muito avançado. Estima-se que, devido ao diagnóstico tardio, cerca de seis em cada 10 doentes com cancro oral morram nos primeiros cinco anos após o diagnóstico.

Por outro lado, falta, também, alterar a forma como grande parte da população portuguesa olha para a saúde oral.

O que falha e porque falha

A não prevenção e, consequentemente, o diagnóstico tardio da doença são os principais motivos que justificam que Portugal seja o segundo país da Europa com maior taxa de incidência de cancro oral. Isto passa-se devido à falta de conhecimento da doença e dos sintomas da população em geral.

Da mesma forma, faltam as visitas regulares ao médico dentista, um hábito que é ainda colocado em segundo plano quando se fala de saúde. A saúde oral não pode ser negligenciada. Além disso, existem, também, comportamentos de risco associados, como o consumo de álcool e tabaco.

A prevenção é a chave

O prognóstico desta doença vai depender do estágio em que for detetada, daí a importância do autoexame da boca, um método simples, mas muito eficaz para a deteção precoce do cancro oral. Consultas regulares no dentista e a realização periódica de autoexames da cavidade oral melhoraria, sem dúvida, a deteção precoce deste cancro.

O objetivo é procurar algum sinal de alerta, como feridas que não cicatrizam, manchas que alteram a sua cor ou que não desaparecem, aftas demasiado prolongadas, nódulos, inchaços, dificuldade em engolir, mastigar ou até falar, sensação de dormência persistente, sangramento sem motivo aparente e mobilidade dentária anormal.

O exame deve ser realizado num local bem iluminado em frente ao espelho e as mãos e a boca devem estar limpas. Quem tem próteses removíveis, deve retirá-las. Depois, são estes os vários passos que devem ser seguidos:

  •  Observar e palpar os lábios (superior e inferior);
  • Puxar os lábios e examinar internamente;
  • Inspecionar o palato (céu da boca);
  • Estender a língua para fora e observar;
  • Levantar a língua até ao palato, palpar e observar o pavimento da boca com o dedo indicador;
  • Inspecionar com atenção os bordos laterais da língua, procurando alterações visuais ou táteis;
  • Afastar as bochechas e pesquisar internamente ambos os lados;
  • Palpar com a polpa do indicador toda a gengiva superior e inferior;
  • Comparar o lado direito e esquerdo do pescoço e procurar alterações palpando um lado de cada vez;
  • Palpar cuidadosamente o contorno da mandíbula;
  • Colocar a polpa do dedo indicador por baixo do queixo e inspecionar.

É mais frequente em homens, mas os casos em mulheres jovens estão a aumentar

Por ano, surgem, em Portugal, cerca de 1500 novos casos de cancro oral, sendo mais frequente em homens – a proporção é de 2:1 em relação ao sexo feminino – a partir dos 40 anos. Contudo, o número de casos em mulheres jovens está, diz o médico, a aumentar.
É fundamental, por isso, que todos os grupos, mais ou menos vulneráveis, conheçam os fatores de risco e sigam atentamente os sinais de alerta.

A taxa de sobrevivência a cinco anos para doentes com cancro localizado e detetado em fases precoces é de 83% relativamente aos 32% para aqueles cujo diagnóstico é tardio e que, muitas vezes, cria metástases.

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