Medicina do sono e roncopatia

Durante o sono, os músculos responsáveis por manter a permeabilidade das vias respiratórias relaxam. Como consequência, os tecidos moles das vias aéreas vibram e produzem o ronquido.
Além disso, a passagem do ar a nível da faringe vai-se tornado mais difícil e, em determinadas ocasiões, a falta de fluxo de ar produz a diminuição do nível de oxigénio no sangue. O cérebro recebe esta informação de falta de oxigénio e produz microdespertares, interrupções que podem acontecer durante toda a noite.
Este défice de oxigénio provoca uma série de sintomas, como a hiper sonolência diurna, cansaço generalizado, depressão, dores de cabeça e aumenta o risco de patologias como, hipertensão arterial, diabetes tipo II, AVC, enfarte agudo do miocárdio, etc.
A sonolência diurna, a perda de memória, as alterações do ânimo, afetam a vida pessoal, social e profissional e aumentam o risco de acidentes laborais ou de trânsito, por exemplo.
A medicina oral do sono é uma especialidade médica interdisciplinar que procura o diagnóstico e tratamento das patologias do sono.
Para mais informações pode consultar as páginas da sociedade portuguesa da medicina do sono e da associação portuguesa de cronobiologia e medicina do sono.
Dispomos de uma equipa de profissionais formados em medicina oral do sono. Colaborando de forma interdisciplinar com outras áreas da medicina, a nossa equipa indicar-lhe-á o tratamento mais adequado para si, bem como o acompanhamento necessário a um tratamento bem-sucedido. A medicina dentária constitui a primeira linha na prevenção e diagnóstico dos distúrbios do sono.

Perguntas Frequentes

O que é a apneia do sono?

A síndrome de apneia obstrutiva do sono é uma doença respiratória do sono provocada por colapsos intermitentes e repetidos da via respiratória superior (atrás da língua). Estas situações provocam pausas respiratórias durante o sono, com duração superior a 10 segundos e que se repetem mais de 5 vezes por hora. Estas pausas originam diminuição do oxigénio e aumento do dióxido de carbono no sangue e, consequentemente, em todos os tecidos do organismo. Este estado provoca pequenos despertares ao sono da noite, fragmenta e desestrutura o seu sono, ou seja, dorme mas não repousa.

Como se manifesta a doença?

A síndrome de apneia obstrutiva do sono manifesta-se por sintomas que se podem observar tanto durante o dia como durante a noite. Os sintomas nocturnos são muitas vezes registados com a ajuda de outra pessoa.

Durante o sono, os sintomas mais frequentes são:

  • Ressonar de intensidade variável e interrompido por pausas respiratórias (as apneias). O ressonar e as apneias agravam-se com o passar do tempo, com aumento de peso, com ingestão de bebidas alcoólicas e com dormir de costas;
  • sono agitado, com exagerada transpiração corporal, principalmente na região da cabeça e pescoço;
  • despertares súbitos com sensação de sufocação ou engasgamento;
  • levantar várias vezes durante a noite para urinar;
  • ter a percepção de que sonha frequentemente;
  • sentir azia.

Durante o dia, os sintomas mais frequentes são:

  • acordar cansado, com sensação de um sono não reparador;
  • sentir uma sonolência diurna excessiva, que pode ir desde um fácil adormecer a ver televisão ou a ler, à mesa, a conversar com os amigos ou mesmo a conduzir;
  • acordar com boca seca;
  • sofrer de ansiedade e outras alterações de humor que se manifestam por irritabilidade, explosividade e desânimo nas actividades do quotidiano;
  • dores de cabeça frequentes, sobretudo matinais;
  • sentir problemas a nível sexual.

É frequente os pacientes não valorizarem estes sintomas, atribuindo-os a outras possíveis causas, como excesso de trabalho. No entanto, a sonolência diurna e o ressonar (roncopatia) não são normais, e a existência destes sintomas deve fazer procurar ajuda médica.

Quais são os factores de risco?

Genéticos: características físicas de configuração da face, do pescoço e das vias respiratórias superiores; tendência para a obesidade; diferenças raciais, por questões morfológicas, existe uma maior prevalência na raça negra.

Género: há maior tendência nos homens, no entanto, depois da menopausa a prevalência nas mulheres é idêntica. Os sintomas nas mulheres são ligeiramente diferentes dos homens: queixas de insónias frequentes, distúrbios cognitivos e psiquiátricos diurnos. Estes sintomas são desvalorizados e o diagnostico é tardio.

Idade: a prevalência da apneia do sono aumenta com a idade. Os mais afectados estão faixa entre os 50 e 70 anos de idade. No entanto esta patologia afecta todas as idades, mesmo as crianças.

Peso excessivo: corre mais riscos de desenvolver a doença.

Perímetro do pescoço: nos homens perímetro superior a 42 cm, tem maior probabilidade de ter síndrome de apneia obstrutiva do sono.

Doenças hereditárias: Síndrome de Down, Síndrome de prader-willi, craniosinostoses.

Outros factores: consumo crónico de álcool, tabaco, ansioliticos, rinite alérgica.

Como se diagnostica a doença?

O diagnóstico é feito clinicamente observando a cavidade oral e as vias áreas superiores, através de uma anamnese exaustiva e completa. O diagnóstico conclusivo obtém-se através de um exame que se chama polissonografia. Consiste num aparelho usado durante toda a noite que vai monitorar e analisar diverso parâmetros durante o sono nocturno: respiração, oxigenação do sangue, actividade cerebral, movimentos dos olhos, actividade muscular e movimentos das pernas, ruído. Hoje em dia este exame é feito em casa.

Como se trata a apneia do sono?

Dependendo da gravidade da doença, medida pelo índice de apneia dado pela polissonografia, o tratamento será diferente em cada paciente.

Serão aconselhadas medida gerais como perder peso, evitar o consumo de álcool a partir da hora de almoço, não tomar medicamentos para dormir, não fumar, manter uma higiene do sono, respeitar as horas habituais para dormir, evitar dormir de costas.

Nos casos de paciente com índices de apneia moderados a graves, o paciente deve dormir com aparelho de ventilação forçada, o CPAP, que através de um fluxo de ar contínuo impede o colapso das vias aéreas superiores, diminuindo as apneias nocturnas. Em casos mais graves pode ser necessário recorrer a cirurgia. Em índices de apneia leves ou roncopatia isolada, ou ainda pacientes que não tolerem o CPAP, as próteses de avanço mandibular podem ser uma alternativa. Estes aparelhos promovem o avanço do maxilar inferior e são usados durante o sono evitando assimas o colapso da via respiratória da orofaringe.

Quais são os riscos e consequências de uma apneia do sono não tratada no adulto?

Como qualquer doença crónica, a síndrome de apneia obstrutiva do sono tem tendência a agravar-se com o tempo e as suas consequências também serão mais graves. Nomeadamente AVC, diabetes, patologia cardíaca, hipertensão arterial, enfarte do miocárdio, morte súbita durante a noite, perda de memória, acidentes de carro por excessiva sonolência.

Penso que tenho apneia do sono, a quem me devo dirigir?

Fale com o seu médico de família, com o seu dentista, ou com o seu otorrino. O tratamento e diagnóstico são multidisciplinares e pode ser referenciado por qualquer médico para a consulta especifica de medicina do sono.

Porque ressonam as crianças?

O ressonar corresponde ao ruído produzido pela vibração do ar na faringe. Surge, durante o sono, quando existe um aumento da resistência à passagem do ar nas vias aéreas. Este aumento de resistência está, na maioria dos casos, relacionado com o aumento das dimensões dos adenóides e amígdalas. Outros factores que podem estar na origem ou condicionar o agravamento do ressonar, como a obesidade, rinite alérgica ou determinadas características faciais (palato estreito, mandíbula recuada, dentes apinhados por maxilares pequenos, desvio do septo nasal).

Entre 101 a 15% das crianças ressonam, facto que muitas vezes não é valorizado.

Quando se deve valorizar o ressonar na criança?

Sempre que a criança ressona de forma habitual, sem estar constipada, esse facto deve ser reportado ao médico pediatra, dentista ou médico assistente.

Deve ser ainda mais valorizado se o ressonar for acompanhado de:

  • durante o sono: pausas respiratórias (apneias), respiração ruidosa ou predominantemente pela boca, noção de esforço respiratório, sono agitado, transpiração excessiva, enurese (urinar na cama), sonambulismo, pesadelos, dormir em posições estranhas, queixas de insónias.
  • durante o dia: dificuldade em acordar, queixas de dor de cabeça ou falta de apetite pela manhã, sonolência excessiva (adormecer na escola, sestas em idades em que já não é habitual), alterações de comportamento como irritabilidade, hiperactividade, agressividade e dificuldades na aprendizagem.

Uma criança que ressona faz apneia do sono?

A síndrome de apneia obstrutiva do sono atinge um quinto das crianças. Quando as crianças têm alguns dos sintomas acima descritos, fala-se de perturbação respiratória do sono, que tem vários graus de gravidade e o diagnóstico mais frequente é a síndrome de apneia obstrutiva do sono.

Como se diagnostica a apneia do sono na criança?

Nem sempre são necessários exames complementares de diagnóstico como nos adultos. Perante uma criança com sinais e sintomas clínicos típicos e aumento das dimensões das adenóides e amígdalas pode estabelecer-se o diagnóstico de síndrome de apneia obstrutiva do sono. No entanto, para objectivar o grau de apneia, o diagnóstico pode ser completado pelo estudo poligráfico do sono, tal como nos adultos.

Quais são os riscos e consequências de uma apneia do sono não tratada na criança?

O sono é um período fundamental para diferentes funções do organismo: crescimento, desenvolvimento do cérebro, consolidação da memória e capacidade de aprendizagem, entre outros. As alterações respiratórias e na estrutura do sono que ocorrem na síndrome de apneia obstrutiva do sono podem comprometer todas estas funções. Para além disso, podem associar-se as consequências metabólicas e cardiovasculares, como hipertensão arterial, diabetes, que se podem prolongar até à idade adulta e assim tornar estas crianças em adultos menos saudáveis.

Como se trata a apneia do sono na criança?

Como o aumento das adenóides e das amígdalas é a principal causa desta síndrome, o tratamento mais frequente é a sua remoção cirúrgica. Nalgumas formas, o tratamento médico com corticóides nasais e anti-histamínicos poderá ser suficiente ou útil para prevenir a cirurgia.

Podem existir outros factores que causem ou contribuam para a síndrome de apneia obstrutiva do sono e que poderão necessitar de tratamento ortodôntico, como expansão maxilar, correcção do alinhamento dos dentes, avanço mandibular. Pode ser indicada alteração da dieta alimentar e prática de exercício físico, se houver obesidade infantil associada.

O tratamento deve ser interdisciplinar entre médico dentista, otorrino, imunoalergologista e nutricionista.

Médicos